À MINHA ROSA, MINHA MÃE EMÍLIA ROSA
Enviado em 11 de Maio de 2008
Publicado por Carlos Roberto Martins | Enviar por e-mail
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Às vezes penso que ela não se foi, tal a intensidade com que viveu. Mãe empregada doméstica, mãe que sabendo que os filhos não tinham o que comer em casa, guardava o pedaço de carne do almoço na casa da patroa e levava para repartir por quatro, dos quais um era eu. Mãe abandonada e traída pelo marido, mas que nunca desistiu dos que pariu: não jogou nenhum filho na Lagoa da Pampulha; não deixou nenhum rebento na porta dos mais abastados e nem abandonou o que gerou num leito de maternidade. Sua barriga nunca foi de aluguel, aliás, aluguel era apenas o das casas onde morava; por fim, nunca asfixiou nenhuma das três filhas que lhes nasceu, para em seguida atirá-las da janela. Ela tinha “os melhores filhos do mundo”, pensava. Mãe negra e sem alguém que lhe desse direção para crescer e vencer. Mas cresceu no peito e na raça! Seu sorriso tímido expressava doçura. Era uma Rosa, Emília Rosa era seu nome. Venceu muitas batalhas na vida, silenciosamente, provando que nem sempre o que grita é o que vence. Lutou até onde pôde contra um mal que lhe calou , mas “mesmo depois de morta, suas obras ainda falam”. Há oitenta anos atrás ela veio ao mundo e foi afagada pelos braços de alguém, ao ir embora, foram meus braços que a sustentaram, até não poder mais respirar. Me vejo nela, quando tento ser um pai quase onipresente, em busca do bem estar de minhas meninas. Não tenho mais como agradecê-la pelo bem que me fez, ela já não poderá ouvir. Se você achar algo de bom no que escrevi, ou mesmo na minha vida, agradeça a Deus por ela ter existido. Obrigado Rosa, Emilia Rosa.
A Palavra de Deus nos afirma em Eclesiaste 9:5-6, que os mortos não sabem coisa nenhuma, por não ter parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol, na terra dos viventes. Mas quando em vida Da. Emilia Rosa soube amar, educar, batalhar e ser, apesar das lutas, ser uma mulher vitoriosa.
No dia quando eu for para a eternidade, lhe direi: Muito obrigado irmã Emilia Rosa (que terá um novo nome (Apocalipse 2:17) pela benção que teu filho foi para minha vida e a vida da minha família.
Olá!
Mães guerreiras que têm tudo para serem amargas, mas contradizem o que a sociedade diz e espera. São apesar das lutas e dos momentos de solidão referencial de caráter e honra.
Amam a seus filhos e são amadas por eles não pelo o que podem lhes dar de material, mas sim pelo amor que sentem uns pelos outros.
O laço que une mãe e filho, é referencial para compreendermos,o amor de Deus por nós. Sempre fazemos arte, mas ele continua nos amando!
Paz!
Pr Carlos, gostei muito do seu texto, deu até vontade de ligar pra minha mãe que está morando na Espanha; liguei pra ela e matei a saudade. Grande abraço!
Ed